sábado, 20 de dezembro de 2008

Busú sonoro

Hoje eu peguei um ônibus na Estação Pirajá indo pra casa e nesse ônibus tinha música. Até aí nada de se estranhar, considerando que hoje em dia existem celulares, Mp-3, 4, 5 e diversos aparelhos portáteis do tipo que podem fazer o maior barulho quando não estão ligados a um fone de ouvido...mas o som não vinha de nenhum desses aparelhos, e sim do próprio ônibus...ééé, vinha a partir de umas caixinhas muito bem escondidas no seu interior. O grande lance é o tipo de música que tocavam...música clássica / erudita!!!...e foi daí que surgiu meu estranhamento. Pense aí...o busú cheio, um empurra-empurra danado, o pessoal cansado do trabalho, um motorista malucão fazendo as curvas na maior velocidade, e aquela música lá, tocando, alheia a tudo isto. Eu não sabia se ria ou se me emocionava....queria ter ficado mais de 10 minutos no ônibus pra ver a reação dos outros passageiros depois de um certo tempo escutando “juntinhos” aquela trilha sonora.

sábado, 29 de novembro de 2008

Fotos na Rua


Vi essas fotos de Renan Oliveira (Schop), brother da faculdade, e gostei tanto que pedi a ele pra posta-las aqui no blog (Valeu, Renan!). Quando vejo essa primeira imagem tenho uma sensação impressionante de contradição...vejo a pista, e a lembrança de transito, barulho, velocidade, essas coisas, me vem logo à cabeça, mas o Renan está lá, sentado, tranquilamente, em posição de meditação. Na segunda foto, que é igualmente interessante, aparecem ele e a amiga dele, Tânia, mas fiquemos com o comentário do próprio Renan a respeito das imagens:
"O perído acadêmico é tempo de experimentar todas as dimensões possíveis.
A monotonia, quando em conchavo com o tédio, nos colocam numa ebridade não agradável e a mesmice, cá entre nós, enche o saco.
Era um dia qualquer de aula, na Av.Pararela, quando eu e Tânia resolvemos experimentar a sensação de estarmos no lugar onde não deveríamos ( ou poderíamos): no asfalto quente( quase em brasa) de uma das avenidas mais movimentadas de Salvador.
Meditei e até cochilei naquele lugar.Consegui entrar em sintonia com os deuses (gregos? Talvez!). O fato é que enquanto quem passava pela outra pista e/ou quem estava no ponto, em frente, nos chamavámos de loucos, nós ríamos como pássaros felizes a cantar e experimentávamos a sensação da liberdade em conchavo com a felicidade."
Ah, tá aí também o blog do Renan, pra quem quiser dar uma olhada: http://renanentrelinhas.blogspot.com/




Raquel Maciel caricaturada por mim.

Raquel é uma grande amiga minha de lá da Faculdade de Filosofia e tem diversos talentos que não caberiam em uma descrição aqui nessa postagem, mas pra quiser conferir um pouco das habilidades dessa moça, ela também tem um blog, e este vale mesmo a pena ser visitado. O endereço é http://quelanjos.blogspot.com/ .
Curioso é que eu não costumo fazer caricaturas, mas essa saiu, assim, de repente, enquanto eu ouvia o som de Yann Tiersen.

Notícia no maior estilo Leão Lobo:

Mallu Magalhães, a garota que com 15 anos fez bastante sucesso na internet ao disponibilizar suas músicas no Myspace, está de namoro declarado com Marcelo Camelo (ex-vocalista do Los Hermanos). Mallu fez participação no recém-lançado cd solo de Camelo com a música "Janta", que curiosamente começa com as palavras “Eu quis te conhecer, mas tenho que aceitar, caberá ao nosso amor o eterno não dá” cantadas por Camelo, mas no caso do casal popular brasileiro não coube o eterno não dá, e aconteceu o romance...a grande polêmica que está rolando diz respeito à diferença de idades entre eles, já que Camelo tem hoje 30 anos e Mallu tem 16. Quando questionada sobre tal polêmica a cantora retrucou “Não vejo problema nehum com essa história de idade. Isso existe?”.
Ahhh, e falando nisso, hoje tem show dela, Mallu Magalhães, aqui em Salvador. Quem vai? Eu vou!...só espero que ela não venha de camelo pra não se atrasar.

domingo, 9 de novembro de 2008

Namorando a madrugada


Eu amo a madrugada, essa escura e silenciosa criatura da noite. Nela eu sonho, mesmo quando estou acordado. Lembro, penso, faço planos. O corpo está cansado, mas o desejo é inquietante. Oh, a madrugada perfeita dos amantes! Dela sou amante, e nela sou amante. Eis uma sedutora solidão, pois no escuro, mesmo acompanhados parecemos sós. Nossos sentidos nos enganam, e os heróis dormem em outros cantos, outros quartos, outros cais, e nem parece mais aquele mundo de algumas horas atrás. Aliás, nesse momento até as horas passam de maneira diferente, passam envolvidas no clima da madruga, acolhedor e displicente. O coração bate mais forte e, agora, ele que geralmente é sufocado pela rotina do dia-a-dia, pode ser escutado afirmando sua existência, que também é a nossa. Um jazz, um pedaço de papel e diversas possibilidades, mas o corpo e a cama (outros grandes sedutores) também reclamam sua parcela de aproveitamento das delícias madrugais, e então, é inevitável fechar os olhos e se deixar levar, mas pra mim a madrugada não se acaba aqui, ou melhor, não se acaba nunca, ela é contínua, infinita...se disfarça, se esconde, se transforma, dá um tempo, mas sempre quer voltar pra oferecer o seu sabor, doce, misterioso, sonolento e aconchegante.

sábado, 4 de outubro de 2008

Encontro com Marcelo Camelo


Para quem ainda não sabe, eu ganhei a promoção do site Terra Sonora na semana passada e pude entrar no show do Marcelo Camelo aqui em Salvador totalmente digrátis, com direito a visita ao camarim e tudo. Antes de o show começar, rolou a tal visita ao camarim. Lá, eu e Marcelo, não o Camelo, sim o Miranda, amigo meu que foi como acompanhante, encontramos um outro Marcelo, o Guedes, do site, que ia nos levar finalmente ao Marcelo que se apresentaria nessa noite, o Camelo. Esperamos a van da banda chegar e um pouco depois disso acontecer, o Alex, produtor de Camelo, veio nos buscar pra levar-nos ao camarim, então fomos seguindo-o no corredor, e os aspectos desse encontro “surpreendente” já começaram a se mostrar quando o Alex perguntou: “Vocês tem caneta?”. Depois de, por intuição, apertarmos os bolsos da calça pelo lado de fora, respondemos: “Não”, e então o Alex puxou uma caneta da camisa e nos ofereceu. Só depois de três segundos de silêncio é que fomos entender que ele nos oferecia caneta pra pegarmos autógrafos, e então replicamos “Não, não...não precisa! Não queremos!”. Ele não deixou de expressar a mesma estranheza que sentimos ao nos ser oferecida a caneta. Ao chegarmos no Camarim, o Marcelo Camelo logo nos avistou e levantou pra nos receber com um sorriso no rosto. Um rosto barbudo e entorpecido, e uma cerveja na mão. - O camarim estava cheio, afinal, a banda que o acompanhou no show (Hurtmold) é bastante numerosa, mas não acredito que isso seria motivo pra atrapalhar o encontro - Nos apresentamos e conversamos um pouco, mas eu logo senti um ambiente desconfortável. Marcelo, meu amigo, também sentiu isso, pois a impressão que tivemos, foi a de que Camelo nos recebeu, digamos assim, no “modo automático”, respondendo as perguntas superficialmente e como se estivesse cortando papo pra nos dar bye bye desde já. Só deu tempo de tirarmos duas fotos e quando eu pedi pra ele me deixar tirar mais uma, só que agora fingindo puxar a barba dele, ele bradou. É sério, o cara virou a porra mesmo, não gostou. E eu, fiquei sem entender. Surpreendido pela situação, dei risada, me despedi e saltei fora de lá. Ainda pensei em sacanear ele perguntando “E aí, vai tocar Ana Júlia hoje?”, mas Marcelo, meu amigo, já tinha tomado a frente e saído da sala, então eu deixei pra lá. Naquele dia Marcelo Camelo provavelmente esperava encontrar tietizinhas que iriam se conformar com um risco na blusa, um encontro vazio e uma fotografia do momento, também vazio, mas nós saímos de lá sentindo o vazio do momento, e entendendo que seria bem melhor se tivéssemos ido direto pra platéia ver o show, que foi muito bom por sinal, mas não vem ao caso. Deixo aqui, portanto, uma pequena enquete: Será que aquela barba é de verdade?

sábado, 20 de setembro de 2008

Na semana passada eu fui pra festa de Nossa Senhora de Oliveira dos Capinhos-Ba, minha terra quase natal, ou terra São João, talvez, e lá, fiquei responsável por tirar as fotos da família, então me aproveitei da situação e despertei minha antiga paixão por fotografia, tirando essa belezinha aqui.
Obs: Aqueles anjinhos no canto inferior direito da imagem são de verdade, basta clicar na foto pra vê-la ampliada.

Um desafio e tanto!


Desculpem a minha ausência por tanto tempo, mas entre as mil e tantas atividades às quais costumo dedicar meu tempo, recentemente resolvi incluir mais uma...participar do Desafio Sebrae, que pra quem não sabe, se trata de uma competição entre estudantes universitários, que simula a administração de uma empresa. A proposta surgiu de um amigo de infância, Lucas Pereira, primo da minha cunhada e estudante de engenharia da produção. Ele juntou na equipe cinco pessoas dos mais variados cursos, inclusive eu, de Filosofia, então começamos o jogo, meio sem saber direito como funcionava, mas fomos aprendendo aos poucos, nos desenvolvendo, passamos nas eliminatórias, depois na semifinal estadual e agora chegamos à final estadual. Como nessa fase o Desafio exige o envio de decisões diariamente eu ainda não tive tempo de colocar em prática algumas idéias que tive pra esse blog. Espero, logo que puder, voltar a escrever umas besteirinhas aqui pra quem quiser distrair a cuca dessa maneira. Abraços.
Site do Desafio Sebrae pra quem quiser saber mais a respeito:

sábado, 16 de agosto de 2008

A marcha do pingüins


Depois de ver várias notícias no jornal sobre pingüins se aventurando em solo baiano e começar a tramar um turismo pingüistico, comprando mais duas geladeiras aqui pra casa, resolvi assistir um filme que já despertava minha curiosidade há algum tempo, A Marcha dos Pingüins. Achei muito bonito. Tudo bem que essa opinião é praticamente unânime entre os que já assistiram a esse filme (que, inclusive, ganhou um Oscar), mas devo expressar minha empolgação por aqui pra servir como dica. Pra quem não assistiu, eis uma boa oportunidade de reunir a família, namorada (o), pingüins e afins. Trata-se de um documentário, mas é muito diferente do comum, fala sobre os hábitos dos pingüins-imperadores, mas de maneira, digamos assim, bem humana, em uma narrativa infantil, porém, cheio de cenas fortes e emocionantes e, no final das contas, com a estrutura de uma estória, só que através de imagens reais. Ah, a trilha sonora merece muito destaque também. O filme é lindo demais, minha gente! Maravilhoso! Me fez repensar, entre outras coisas, a atitude do homem frente a natureza, mas não que a estória toque nesse ponto, digamos assim, frio. Fica aqui a indicação. Vale a "pena"...se é que vocês me entendem.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Olim piadas


Começaram as Olimpíadas. Êhh! Finalmente uma notícia de primeira mão aqui nesse blog. Estou me tornando praticamente um jornalista, e dos melhores, estão vendo?...mas é sério, pessoal, quem viu a abertura? É dinheiro de bocado que rola, né não?!...Não importa, vale tudo pra venderem a China comunista (?!)...Ôps! Deixa isso pra lá...pra lá pro outro lado do mundo. Continuando...abertura de olimpíada é um espetáculo e tanto. Fico imaginando o que os gregos da Antigüidade achariam disso, o evento esportivo que eles criaram há mais de dois mil anos atrás dando o maior ibope nos dias de hoje, até mesmo no mundo oriental. Aliás, no mundo inteiro. Podemos agora acompanhar o evento mesmo estando no pólo oposto do nosso planeta. Olha só, mais um furo de reportagem!!! Entenda meu entusiasmo, meu povo, eu não canso de me impressionar com a tecnologia, afinal, antes, a única coisa que eu conhecia de Pequim era o cachorro de uma ex-vizinha minha que acredito ter vindo de lá, pois diziam ser ele, um legítimo “pequinês”.
Um dia desses eu vi no telejornal que na época das primeiras olimpíadas era proibido haver guerras durante o período do evento. Bom seria se essa lei valesse pros dias atuais, pois enquanto os jogos acontecem sem parar, o conflito entre Rússia e Geórgia come solto também, logo ali do lado. No entanto, não é todo costume adotado pelos gregos nos princípios olímpicos que cairia bem atualmente, senão os atletas de hoje teriam que disputar peladões, como os Antigos, e o maior vexame disso, seria dos próprios chineses, por conta da fama que eles já possuem...mas o verdadeiro problema nisso seria que retomar a prática grega ao pé da letra significaria também excluir a participação das mulheres da competição, e aí sim, seria uma coisa ridícula e absurda....ah, nem me chamem de machista, concordemos que nessa condição também o Brasil não ganharia nenhuma medalha no futebol.
Falando em pelada, digo, em futebol, existem rumores de que o jogador Robinho, que não foi liberado pelo Real Madrid para competir pela seleção brasileira em Pequim, ainda poderá participar dessas olimpíadas, porém, em outra modalidade, o Triatlo...isso devido a sua fama de ser aquele que “corre, corre...pedala, pedala...e nada”.
É, pessoal, enquanto o Robinho não vem, eu continuo lhes transmitindo essas informações preciosíssimas, e a batalha pelas medalhas de ouro continua tinindo lá em Pequim, onde a anfitriã, China, está tentando com todas as forças obter o maior número de douradinhas. Em minha opinião, tá no papo, eles levam essa de olhos fechados, literalmente.

Um beijing pra quem bateu o recorde olimpíco que foi ler essa baboseira toda aqui.
Atena próxima postagem.

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Eu música

Cifra

Com música na cabeça e a cabeça no lugar,
No lugar onde houver música,
Sigo em harmonia com o ritmo da vida,
Qualquer canto é minha casa.
Às vezes sou maior e outras vezes sou menor.
Maior em menor freqüência.
Minha interpretação é propiciada pela natureza,
Que só se apresenta em longa escala,
Misteriosa e cifrada em sua performance.
Por ela é na tensão que os pares encontram sintonia,
Formam duplas, conjuntos.
Sei que essa melodia parece batida,
Mas tudo tem seu tempo,
E eu sou músico, preciso de uma música, talvez agora mesmo.
Meu maior contraponto é que eu sempre caio de tom na hora de cantar.
Confesso que sôo assim mesmo, meio desafinado, quem me vê logo nota.
Tenho que me tocar antes que a situação se torne mais grave.
Aguda é a voz que se repete de repente,
Como que gravada na memória,
Entre o som e o sono estonteante,
Em um timbre levemente dissonante,
Que me invade a passos compassados,
Numa canção em alto e bom sonho:
Vamos lá, acorde, lá vem o sol,
Ninguém vai querer te escutar se ficares batendo na mesma tecla.

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Eu amigo

Percebi que comecei esse blog falando somente de mim mesmo, então resolvi escrever sobre alguém além de mim. “Vou escrever sobre meus amigos”, pensei eu, e agora estou aqui imaginando umas palavras bonitinhas pra prestar uma homenagem às pessoas mais importantes da minha vida. Há um tempo atrás eu cheguei a escrever “Sou um reflexo dos meus verdadeiros amigos” no msn, em letras maiúsculas, e fiquei lá, on-line, todo orgulhoso, parecendo até que tinha feito grande coisa. Pelo menos consegui me expressar bem. A maior influência pra minha vida são mesmo meus amigos. O lance é saber quem são esses tais amigos aí. Aviso logo que alguns parentes estão incluídos nessa lista seleta, é claro. O lance é que ser parente não é o bastante pra que eu considere amigo, mas quando eu considero alguém como amigo considero também como parente. É bom perceber que tenho vááários amigos, e amigos de verdade mesmo, o problema é que sou muito mal agradecido, tenho que admitir que sou. Ainda bem que meus amigos são tão amigos que não se importam muito com isso e sabem que eu os amo apesar de hoje não passar muito tempo ao lado de alguns deles. Estou me dedicando aos meus conflitos internos (minhas pirações), ao planejamento profissional (descobrir que porcaria eu vou fazer da vida), aos meus amigos mais próximos (meus pais) e tentando organizar a parcela de influência que recebo de cada um dos meus amigos em geral, pra, no final das contas, ser alguém. Inclusive, teve uma pessoa que me perguntou um dia desses sobre quem eu sou. Eu sinceramente não sei responder, mas já tenho uma pista, "Sou um reflexo dos meus verdadeiros amigos”, uma projeção, por isso vou continuar a falar de mim, automaticamente me referindo a eles.

domingo, 20 de julho de 2008

Eu me re-conheço

Eu contigo
Eu consigo
Eu cogito
Eu componho
Eu disponho
Eu suponho
Eu suplico

Eu creio
Eu saio
Eu caio
Eu freio
Eu frágil
Eu finjo
Eu sofro
Eu sinto

Eu não vou
Eu não vôo
Eu não posso
Eu não possuo

Eu sei
Eu sou sonho
Eu sou só
Eu só sou
Eu

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Eu espectador de mim


Já faz alguns dias que estou me sentindo como um espectador. Um espectador da minha própria vida. É como se tudo já houvesse acontecido antes, e eu, simplesmente não me lembrasse de nada. Pareço estar revivendo, revisando, refazendo. Acho agora tudo mais encantador, mas não consigo experimentar totalmente essas belezas pois estou meio de fora, continuo me sentindo um espectador. Minha noção de horário mudou completamente. O tempo até passa, mas tudo já aconteceu. É como ver um filme, não tão passivamente pois eu sinto, eu estou no filme e tenho que seguir o roteiro.
Não que eu queira aprisionar os momentos e sensações. Ai, droga! Não estou conseguindo explicar nem a metade do que sinto agora e, na confusão causada pelo turbilhão de idéias que me invadem ao mesmo tempo, não consigo reunir tantas idéias em uma só já que elas se atropelam como se tivessem vida própria e quisessem garantir presença em meu pobre testemunho. Não, não está sendo fácil ser espectador e ao mesmo tempo agente dessa vida cheia de segredos. Sei que estou dramatizando um pouco a coisa toda até e talvez eu leia isso tudo depois e ache graça, mas agora eu preciso tentar expor estes sentimentos como eles aparecem pra mim.
Não consigo confiar em ninguém além de mim mesmo e ao mesmo tempo confio em todo mundo. Talvez eu tenha passado muito tempo em minha própria companhia. Eu sou hoje meu herói e minha decepção. Na verdade sempre fui assim. É, sempre fui, ainda que seja duro admitir isso, mas agora a sensação é mais intensa ou mais evidente do que antes.
Quero respirar mais, só que não consigo, não adianta, não dá pra atravessar a tela. Mas como, se sou eu quem está na tela? O problema é que sou também esse protagonista. Esse talvez nem seja um problema, aliás, pode até ser a solução. Preciso assumir meu papel verdadeiro, que é, o de participante, e esquecer essa estória de ser espectador de uma vez por todas. É isso. Há uma porção de coisas pra fazer. Eu consigo. Eu aposto comigo mesmo que consigo. Vou voltar pro mundo real, o da interpretação, mesmo que já esteja tudo escrito, e essa decisão também deve estar escrita já que estou tomando-a. O que eu não posso fazer é ler o final do roteiro, senão perde a graça, né?